Requalificação da Praça Central
Transformar a praça central das Torres de Lisboa num espaço pensado para ser vivido ao nível do solo é o ponto de partida desta proposta de requalificação da praça das Torres de Lisboa. A intervenção procura valorizar o espaço existente através de uma nova organização, capaz de reforçar a circulação, a permanência e o encontro entre os seus utilizadores.
A abordagem inicial partiu de uma leitura detalhada do espaço, considerando os volumes envolventes, as formas, a materialidade, os percursos de circulação e as características positivas e negativas da situação existente. A forte presença de uma métrica ortogonal, marcada pelos volumes paralelepipédicos das torres, pelas linhas verticais e horizontais e pela marcação de uma quadrícula, conduziu inicialmente à exploração de uma linguagem formal próxima da arquitectura envolvente. Esta abordagem revelou, contudo, um reduzido valor acrescentado para a intervenção, levando à procura de uma estratégia distinta.
Em oposição à geometria existente, a proposta introduz linhas curvas e formas orgânicas, criando um novo elemento de identidade no interior da praça. Uma zona central ligeiramente elevada, de configuração orgânica, assume-se como ponto de confluência pedonal e concentra as diferentes valências previstas no programa. A sua posição, sem contacto directo com as torres, permite reforçar a leitura da praça como espaço de encontro, permanência e descompressão.
A organização dos percursos preserva os acessos existentes e os caminhos de emergência de bombeiros na periferia da praça, garantindo a circulação funcional junto às fachadas interiores dos edifícios. São ainda previstos diferentes percursos principais e secundários, com larguras distintas, que interligam os núcleos das torres e conduzem naturalmente os utilizadores para a zona central.
Entre a área ortogonal associada às torres e o novo espaço central desenvolve-se uma linha de transição curva, pontuada por bancos, áreas verdes e zonas de estadia próximas dos acessos principais e secundários. Elementos arbóreos contribuem para criar sombra e privacidade, enquanto os taludes verdes e os módulos de estadia introduzem diferentes cotas e pequenas áreas de permanência integradas no desenho da praça.
A proposta prevê ainda diferentes zonas de utilização ou “hubs”, com áreas cobertas, descobertas e zonas à sombra, procurando oferecer diferentes condições de permanência ao longo do ano. Estes espaços poderão acolher actividades como trabalho ao ar livre, lazer e encontro. Está também prevista uma área de bar ou cafetaria, pensada como um polo de referência e de apoio à utilização quotidiana da praça.
A vegetação assume um papel importante na transformação do espaço, criando uma continuidade de áreas predominantemente verdes em contraste com a realidade existente. A proposta inclui ainda elementos de água ao nível do pavimento, destinados a funcionar em períodos de maior calor e a permanecer dissimulados quando não forem utilizados.
A materialidade procura estabelecer uma relação entre transformação e reaproveitamento. No contexto da substituição das fachadas por uma solução de painéis fotovoltaicos, propõe-se o reaproveitamento das pedras de granito existentes nas fachadas das torres. Estas seriam desmontadas e receberiam um novo acabamento bujardado e antiderrapante, sendo posteriormente reutilizadas no pavimento envolvente entre a zona central e as torres. Caso o reaproveitamento não seja viável, prevê-se a utilização de um revestimento semelhante.
A proposta procura, assim, estabelecer uma nova relação entre os edifícios e o espaço exterior, transformando a praça num lugar mais diversificado, capaz de acolher circulação, estadia, encontro, trabalho ao ar livre e lazer.